quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

meio bossa nova

E na linda construção de tudo, aos poucos e tão intensamente, os olhares foram se tornando tão presentes, tão ausentes, tão inexistentes.
As grades das janelas estão enferrujadas indicando a indiferença e a grande falta de atenção. Logo as janelas, meu bem, que sempre serviam como exemplo de uma importante oportunidade de escolha de abrir ou não as cortinhas para o sol nos invadir. Nós nem notamos mais nada, nós chegamos ao ponto de desleixo completo.
Só é notável a sua presença quando escuto o arrastar de chinelas velhas no corredor da casa, ou a sua ausência quando seus sapatos sociais já não estão no lugar de costume. O beijo na testa que antes era costume, virou algo periódico e com intervalos longos e incertos.
Mas não culpo apenas você não, meu querido. Afinal, foram esses vinte e tantos anos de casado que estragaram de vez o nosso afeto. Nós acreditavamos sim, que algumas pessoas nasceram para isso, para serem felizes nos seus devidos e tão sonhados matrimonios. Que alguns casais realmente só dariam certo se estivessem juntos depois de gritar 'aceito' na frente de tantas outras pessoas. O problema não foi acreditar nisso, foi acreditar que nós nos encaixavamos nesse perfil. Juravamos a todos que esse era o melhor caminho, a melhor escolha, porque nos amavamos.
E amavamos mesmo, antes disso tudo, antes de me sentir provando as pessoas, que hoje nem lembram da nossa existência, que eramos um casal muito feliz e vamos continuar a ser por toda a eternidade, na alegria e na tristeza até que a morte nos separe. E digo mais, para os que acreditam na vida após a morte, viveremos o nosso amor além da fase terrestre.
Nossa! quanto amor, quanta ilusão, quanta perda de tempo em ladainhas e fingimentos. Deve ser muita vontade mesmo, muita crença ou muito medo. É, as pessoas têm muito medo de morrer sozinhas. Mas morrem e bem solitárias. Eu estou com você, mas não tenho você e você não tem a mim.
Vinte anos de casado, meu bem, e eu te pergunto onde foi parar toda aquela nossa musicalidade e malemolência?
Na cumplicidade de palavras e ouvidos, no prazer do te ter por perto e na vontade de estar sempre no seu abraço.
Proteção hoje é só fechando a porta com todos os cadeados possíveis e cabíveis.
Mas que coisa é o tempo, mas que coisa louca é a reviravolta da frieza embutida dentro de nós dois. Não existe mais braços, não existe mais pernas entrelaçadas, nem calor de corpos suados. Não existe nem mais a vontade de fingir para ninguém, em palavras ou sorrisos, hoje nós nos poupamos desse dom artístico que o ser humano ousa sempre em exercitar durante toda a vida.

O relacionamento é sustentado pelas pequenas mas fortes lembranças dos toques suaves e profundos dos lábios, do cravar dos dentes, das palavras indecentes sussurradas ao pé do ouvido, na vontade quase louca e provocante de querer um pouco mais a cada dia.
Que calor? Que vontade? A vontade é sempre de estar distante, de nem ao menos sentir falta, é retrato sem cor, é um bando de roupas amontoadas em cima de qualquer cadeira vista pela frente, é qualquer café da manhã em pensamentos tão distantes quanto o espaço das nossas cadeiras, isso quando se tem café juntos.
E são tantas sensações, são tantos cheiros e pensamentos impregnando o meu corpo e os meus pensamentos no passado que era tão bom.
Isso foi ainda quando nos prometiamos céus e músicas.

Palavras... sempre foram mais fáceis.
Na verdade, elas sempre facilitaram muito. Nos iludiamos o tempo inteiro e tudo parecia ter um pouco mais de sentido. As palavras sempre foram jogadas sem ser tão claramente sentidas, apenas foram aceitas.
E por favor não me pergunte o porque, não me fale de um bom futuro. Não precisa falar nada.
Juntos nos desencontramos, juntos perdemos a razão do viver compartilhando os mesmos caminhos, juntos desaparecemos da vida um do outro.

Não vejo seu sorriso, não consigo mais penetrar no seu olhar que antes era doce e hoje eu não faço idéia do gosto de tem. Mal escuto sua voz, e sinceramente, sinto falta disso.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Você tenta ser todo dia um pouco mais. Ter um pouco mais de paciência, você senta em algum sofá da vida e pega qualquer revista, finge estar achando interessante o que não está nem vendo, e nem é por não estar alí, é simplesmente por não atrair a sua atenção. Eu tenho sentado e esperado o dia que tudo tenha passado, que eu acorde e perceba que você já não existe em mim.
A paciência não existe mais hoje, isso porque ontem já tinha uma pequena dose e ela se esgotou. Eu fiz questão de engolir de uma só vez pra que nada mais pudesse ser feito, que nada mais em mim pudesse ter chance de espera. Odeio qualquer sala de espera, me sinto nervosa, agoniada. Aproveito para deixar bem claro aqui que não quero paciência amanhã. Não quero nada, nem um pouco. Não quero tempo, não quero espera, não quero pensar que um dia eu possa ter algo, que você possa vir a sentir. eu não quero o 'se', detesto hoje qualquer coisa que me lembre possibilidades. A única possibilidade que além de cogitar eu aceito é a de nada esperar. Eu só quero os meus poucos cigarros com muitas xícaras de cafés fortes. Tão fortes. Bem fortes pra cafeína penetrar tão bem em mim e ativar tudo que tenho dito e repetido pra mim milhares de vezes. Eu tenho hoje a exaustão, o cansaço. Seu nome já não flui da mesma forma, seu rosto já está um pouco deformado e distante. Eu forcei a distância física, eu forço hoje a distância em pensamento, em palavras e qualquer possibilidade. Eu quero a possibilidade da inexistência do seu ser dentro de qualquer pensamento meu, de qualquer vontade minha.
Pensando assim chego até a sentir saudade da ilusão que eu alimentava aos poucos, mas deixo-a de lado por um tempo, não quero nem pitadas. Quero razão, quero sentir tudo de uma vez só, quero fingir ser mais forte do que supostamente tento ser todos os dias, quem sabe assim eu não arranje mais meia dúzia de força pra encarar essa realidade fria que quero engolir? Penso que se fosse aos poucos doeria mais, pelo menos estava doendo bastante. Devagar eu não quero mais. Resolvi então mudar de tática, resolvi agora deixar tudo vir de uma só vez.
Risquei a vontade de fugir, descartei as minhas corridas de mim mesma e de você. Agora eu resolvi encarar, encarar os fatos. Sim, gosto de você. Sim, você esteve em mim por todo esse tempo e me incomodou e isso te acomodou em ego, em forte ego. É fora de qualquer senso, mas é humano e é solitário. Tudo é nada, tudo se tornará zero.
Quero o branco, quero a página vazia, quero o vazio que eu possa preencher melhor, porque o vazio que sinto hoje é um vazio com alguém misturado no seu próprio ego. Coloquei o tinteiro de lado, mas decidi agora que não usarei mais apenas palavras, usarei agora cores, as mais vibrantes. Usarei imagens.
E que tudo passe. E que você passe, passe pro lado do que já passou. É, e foi.
Você passou e não foi despercebido, foi uma presença notável.
Neste momento tudo se perde. Recordações ultrapassam o poder da razão e eu percebo que ainda existe algo dentro de mim que ainda quer tentar esperar. É você.

Já foi, já deu. Já dei o ponto, costurei, saturei toda a paciência que desejava alimentar na esperança de algo mais. Mais nada, não houve, não existiu, não existe. Não tem adicional, não existe o você na história. Nada deveria passar pra você, porque nada do que senti e sinto alcançou você. Porque o concreto é inexistente no meu desejo de agora.
Eu jogo verdades e agora quero mentiras. Eu quero a contradição nesse segundo já que se faz no momento presente. Agora já não desejo-o mais e talvez já já tudo mude.
E muda.
A mentira que eu inventar, a mentira que eu quiser acreditar. Não quero mais a sua, não quero mais nenhuma com você. Quero acreditar na sua ausência. Quero tudo de uma vez, já disse, já repeti e acho que não estou sendo clara pra mim mesma. Quero o claro e tenho a confusão, tudo é embaralhamento, cheio de mentiras jogadas sem culpa, sem peso. Pra você. Pra mim é outra história, mal contada, mal vivida, bem pesada.
Penso e só quero pensar na leveza, quero pensar até senti-la por um breve momento. E que esse breve momento se torne algo bem longo e duradouro. Eu quero a leveza das minhas verdades mentirosas. Quero crê que tudo que escrevo agora eu sinto. E sinto mesmo. A verdade agora fluiu, caiu em tentação e se expandiu em palavras.
Não espero mais, a paciência se esgotou e a vontade está felizmente sumindo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A dose mais fraca do real.

Começar um texto falando sobre liberdade é de fato uma tarefa difícil, principalmente se levarmos em consideração o fato de existir variadas concepções bastante pessoais, uma diversidade plurificada de idéias e sugestões. Cada qual defendento sua tese, julgando ser a melhor, ser a verdade única. Cada um que sente confortavelmente no seu balanço de cor favorita e tente voar mais alto, na tentativa de alcançar o céu de certezas, de pseudo certezas. das certezas necessárias e coerentes dentro do seu mundo.
Agora nesse instante minha cabeça fervilha numa mistura de pensamentos e palavras sem sentido, bebo meu forte café e respiro fundo. No momento eu penso na não existência da liberdade, na inexistência da liberdade sem limite ou da inexistência de uma única maneira de libertação. Ora, seria muita prepotência acreditar nisso. Por mais alguns minutos penso e chego até a sentir lamentação para com aquelas pessoas que buscam incessantemente a tal liberdade, 'buscam o ser livre'. Mas isso, de acordo com a inconstância que o ser humano possue pode mudar em dois segundos. Talvez mude apenas por puro comodismo, conformismo ou qualuquer outra coisa que a gente se sinta mais seguro. Afinal, o ser humano tem essa mania chata e um pouco, quase muito, que necessária de se agarrar a coisas, pessoas, palavras para sentir-se tranquilo e protegido. Acho que tudo isso faz parte do que nos torna cada vez mais humanos e muitas vezes unidos por uma idéia não muito fixa, aí é que está. Estamos sempre buscando algo, alguém para continuar a busca daquilo que irá nos confortar de alguma forma em alguma ocasião. E não queremos estar sozinhos. Enfim.
Inventamos mentiras a todo instante, nós caimos nas nossas próprias armadilhas e ciladas
para continuar vivendo, para continuar sorrindo e tentando deixar de lado as perdas. Deixar de lado não, levar conosco todas elas e mais um pouco. Dizem que são com essas perdas que mais ganhamos. Acredite se quiser.
Damos longos passos, giramos dentro de uma ciranda fechada com medo que ela abra em algum momento da dança, afinal, alguém pode trapacear. Mas eu quero ser livre, eu quero poder girar onde me der na telha, em todas as telhas que me conduzir uma bela valsa.
Quero continuar inventando passos e seguindo sozinha meus caminhos tortos, assumindos meus pecados e almejando novos pares e novos ritmos.
Detesto perceber que preciso correr contra o tempo, eu quero correr com o tempo. quero caminhar lado a lado com ele. Quero muito poder sentir que sou livre, mesmo que tudo isso seja mera utopia. Gosto de utopias, gosto do platônico que pode tornar-se real a qualquer instante, quanto menos se espera. Nada na vida é previsível e é disso que mais gosto.
Quando resolvo colocar em jogo a palavra liberdade, dobro a direita, subo, desço, corro, volto, entro na esquerda, leio placas e não chego a lugar algum. Estou tentando apenas achar ou saber o significado maior da existêcia de libertação na mais pura essência. Pra mim, liberdade é um caminho estreito para quem procura e vasto para quem sente nos pequenos momentos de leveza.

sábado, 21 de novembro de 2009

Você sabe.

Eu gostaria de ter sorrido mais, de ter esbanjado felicidade em estar ao seu lado mais um vez. No entanto não consegui, acabei tirando a indiferença pra dançar.
Lá dentro eu sorria, sorria verdadeiramente, demonstrava algo maior e muito válido apenas pra mim.
- Ah! Se você soubesse. Se você soubesse o quanto poderiámos ser mais...
Do ládo de cá eu respondia apenas aos seus poucos e pequenos gestos. Eu te olhava, você me observava de longe e eu percebia. Eu dançava e queria você como meu par, meu único par.
Você se aproximava, eu esperava, esperava e nada, nada acontecia. Você apenas estava alí e eu só podia mesmo me conformar com sua presença. E eu sorri pra você.


Você sabe que estou cansando. Por favor não deixe!

domingo, 15 de novembro de 2009

Vomitei você

Eu invento minha própria loucura
Visto minha melhor fantasia e mostro os dentes
Eu tento me embreagar dos meus vastos pensamentos sem limite
E esqueço muitas vezes de me impor um fim.
Vou correndo até você de braços abertos
E na hora do calor eu sinto frio e cruzo os braços antes do ato maior, antes de qualquer toque, antes que qualquer suavidade.
Eu me bloqueio e me peço pra me impedir do não impécílio.
Não aguento, sustento, imploro e erro.
Por medo, por dor, por qualquer pequena coisa que pareça grande.
Eu apenas enxergo além, o além que não existe e apenas se comporta na minha mente da forma como invento e engulo, engulo como um forte comprimido amargando minha língua e o céu da minha boca.
Está aqui, está alí.
Com você eu talvez quisesse, talvez pudesse.
Mas não gosto do inseguro por mais insegura que eu possa parecer ser e seja.
Gosto da palavra segura, do abraço que protege e da mão que me puxa.
Gosto do olhar que me impulsiona, do ouvido que me entende e consegue ser mais.
Quem sabe aconteça, quem sabe tudo passe e possamos ultrapassar a linha.
Quem sabe.

Pensei que você soubesse. Pensei errado.
Você é mais fraco que eu, mais confuso e tonto. Seus pensamentos são travados e sua língua não se move em minha direção. Seus pés estão enterrados no chão cravado que você fez questão de jogar em cima, seus braços estão atrelados um no outro por uma corda que seus inúlteis pensamentos assim quiseram fazer e fizeram.
Essa sua grosseria me deixa tonta como uma cana da mais forte que chega a me fazer vomitar de tanto e tão somento de enjoo. enjoo da vida, enjoo de efeito e de tudo, todos.
Por um momento, um breve momento, me deixou sorridente. E foi só eu misturar com a vodka e tudo se manifestou de forma confusa dentro de mim, de tal forma que a ânsia veio, a vontade escapou com o vômito de tudo. E finalmente aconteceu.
Eu te vomitei, te coloquei pra fora de uma vez por todas. Você e toda sua insegurança, você e todo seu medo que supera o meu.

Vomitei você.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

É.

O topo
O Ápice
A gota d'água.

A voz
O mudo
O ouvinte.

O jeito
A face
O tranparecer e o absorver.

A cara
As mãos
A tapa.

O pé
O chute
Sem existir.

O calor
O abraço
Os corpos em um só sentir.

A pele
Os nervos
O coração a palpitar.

O viver
Ofegante respiação
O suspiro.

O medo
O passo lento
A máscara caiu.

O vento
A pipa, o balão
Meus pensamentos.

A dor
A lágrima
Não sinto.

A vergonha
O constrangimento
O olhar.

As lembranças
Esqueci
Vacilei.

A confusão
O tiroteio
O proteger, a proteção.

A fuga
A paz
A cabeça perdida.

O tormento
Viagem
A volta.

O reencontro
A força
O gostar.

O fuder
O querer
Prazer.

A calma
A cama
Chama.

Pede
Ama
Rápido.

Porque cansa
Espera
Desisto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

joguei minhas fichas.

Bom...tem horas que a gente resolve jogar a moeda pra cima com a maior força possível e fica esperando que ela caia do lado certo. Eu apostei, joguei e agora tô aguardando ela voltar do céu.










Dedos cruzados!